6 de março de 2012

os olhos já não são os mesmo
e lá fora chove
uma estrada suja de lama
um brilho outrora esquecido
de dentro para fora
e nunca
de fora para dentro
uma criança que corre
e um sem abrigo que morre
A noite é escura
no teu rosto as rugas de uma vida lutada
e de uma derrota vencida
esqueces o teu passado e afogaste no mar profundo
de ti já só me lembro da saudade
e tenho tantas saudades...
acorda agora ou morres eternamente
no canto de uma península desconhecida
respira agora ou terás que ser transplantado
de tudo, enfim, lembro-me de ti
da força que atravessava o atlântico
chegava à extremidade do mundo
e mesmo assim cantava a vida..
já foste descobridor, vencedor e vencido
abre agora os teus olhos e vê o teu povo
que chora onde já não mora a vontade
de querer ser...
um povo apenas

17 de fevereiro de 2012

Fazíamos a mala e voávamos para um lado qualquer, porque dantes o lugar não importava. Eu passava-te a mão pelo rosto e tu sorrias e nada mais importava do que a simples vontade de sermos. Há dias, como hoje, em que me falta o ar e não sei onde arranjar água para lavar o rosto. 

Amor, que foi feito dos sonhos que construímos?! 

As tardes quentes que passamos a sonhar com a casa  que não temos, com as crianças que não ouvimos, com a horta que não cultivamos...

Mas nada disto é importante porque sei que as tuas mãos não me deixam cair mas e quando também tu perderes a força... 

Amor, estou cansada, estou tão cansada!!

Gente triste que não chora e pessoas que não sabem que a sorte lhes mora à porta... houve tempos em que quis sempre viver aqui, com orgulho, com esperança, com alegria e até mesmo com vontade... mas agora olho em volta e não sei mais onde mora o meu caminho... e teu.... e o nosso...

Ai Portugal, Portugal... a  que sabes tu?

11 de janeiro de 2012


guardo pedaços de mim em gavetas que já não sei o nome
e por vezes chove, chove sempre mesmo quando o sol raia. 

Esqueço-me das palavras e as sensações já não são as mesmas

a vontade mudou e com ela a esperança de que tudo um dia podia "volver"
a vida a girar sempre no mesmo sentido
e queremos tanto mudar as voltas que ficamos sempre iguais ao que éramos

e depois chove

e não sei se os meus pés aguentam mais um inverno
mas

de todas as caminhadas que fiz tu foste a montanha mais alta que subi
e a que, até hoje, me mantém aqui, hoje, agora!!!

obrigada

10 de dezembro de 2011

quantas vezes podemos paralisar,
ficar estáticos, sem respirar?
(....)


19 de setembro de 2011


era tempo demais até porque o tempo não chega

a doce frescura da casca de laranja na boca do lobo
e o tempo passa tão rápido
que quando damos por nós estamos sem meias

quero ter o coração nas mãos e brincar às escondidas
no tempo em que era criança e que ainda não queria
uma criança

bato as palmas ou um papo
que agrada mais a quem fale do que a quem ouve
e porque sempre odiei ir ao dentista
quero antes ir ao cardiologista para fazer
um exame aos ouvidos

depois pagamos 90€ e dizemos que estamos pobres
tudo porque crescemos e vivemos num país
banca rota
e a roupa suja
não posso lavar antes das dez porque o horário
não é fora do vazio

as galinhas lá de casa
confesso que até me dão tusa quando a vejo dançar
ela lá tem o seu jeito
sim, naquele túnel

e escrevo sem significado ou sentido
porque afinal desde há uns tempos para cá
o nosso Portugal "no comments".

E pronto, hoje, fico-me por aqui
porque amanhã já
não tenho que apanhar a roupa
tenho que ir às finanças e à segurança social
enforcar-me um pouco mais!!!!!

10 de setembro de 2011


começar de novo um tempo novo,
as tuas mãos continuam a tapar-me o rosto
da maldade que pode haver lá fora

.... a nossa casa....

tem uma parede cor-de laranja e
uma varanda com vista para o Alentejo...

não há lugar que queira mais estar, neste momento,
se não em teus braços bem apertados
longe do medo 
longe do que pode ser amanhã ou depois
apenas aqui, hoje,

contigo na nossa casa...

guardo cá dentro tudo o que as palavras não dizem

tudo o que o meu coração sente...

meu amor o amanhã ainda vai longe....

15 de julho de 2011

movo o meu corpo em dança lenta pelas ruas de um país que já não sabe quem é, nem onde habita... 
onde vai parar esta tristeza toda?
abraço-te porque és o único canto do mundo que permanece seguro...
quando vamos voltar a sorrir  de novo?
a minha sombra nesta terra, como o teu olhar no mar, quero tanto rodopiar que tenho medo de cair na "tondidão" do mundo... 
para onde vamos quando sonhamos?
a minha linguagem é estranha e as pessoas não compreendem porque descodifico palavras inventando outras novas,
mas tu sabes que o meu dialecto é genuíno e que todas as palavras do mundo não são suficientes para exprimir o que o meu coração sente...
e quando morremos?
 deixamos simplesmente de existir?
ou vamos para onde sonhamos?