19 de setembro de 2011


era tempo demais até porque o tempo não chega

a doce frescura da casca de laranja na boca do lobo
e o tempo passa tão rápido
que quando damos por nós estamos sem meias

quero ter o coração nas mãos e brincar às escondidas
no tempo em que era criança e que ainda não queria
uma criança

bato as palmas ou um papo
que agrada mais a quem fale do que a quem ouve
e porque sempre odiei ir ao dentista
quero antes ir ao cardiologista para fazer
um exame aos ouvidos

depois pagamos 90€ e dizemos que estamos pobres
tudo porque crescemos e vivemos num país
banca rota
e a roupa suja
não posso lavar antes das dez porque o horário
não é fora do vazio

as galinhas lá de casa
confesso que até me dão tusa quando a vejo dançar
ela lá tem o seu jeito
sim, naquele túnel

e escrevo sem significado ou sentido
porque afinal desde há uns tempos para cá
o nosso Portugal "no comments".

E pronto, hoje, fico-me por aqui
porque amanhã já
não tenho que apanhar a roupa
tenho que ir às finanças e à segurança social
enforcar-me um pouco mais!!!!!

10 de setembro de 2011


começar de novo um tempo novo,
as tuas mãos continuam a tapar-me o rosto
da maldade que pode haver lá fora

.... a nossa casa....

tem uma parede cor-de laranja e
uma varanda com vista para o Alentejo...

não há lugar que queira mais estar, neste momento,
se não em teus braços bem apertados
longe do medo 
longe do que pode ser amanhã ou depois
apenas aqui, hoje,

contigo na nossa casa...

guardo cá dentro tudo o que as palavras não dizem

tudo o que o meu coração sente...

meu amor o amanhã ainda vai longe....

15 de julho de 2011

movo o meu corpo em dança lenta pelas ruas de um país que já não sabe quem é, nem onde habita... 
onde vai parar esta tristeza toda?
abraço-te porque és o único canto do mundo que permanece seguro...
quando vamos voltar a sorrir  de novo?
a minha sombra nesta terra, como o teu olhar no mar, quero tanto rodopiar que tenho medo de cair na "tondidão" do mundo... 
para onde vamos quando sonhamos?
a minha linguagem é estranha e as pessoas não compreendem porque descodifico palavras inventando outras novas,
mas tu sabes que o meu dialecto é genuíno e que todas as palavras do mundo não são suficientes para exprimir o que o meu coração sente...
e quando morremos?
 deixamos simplesmente de existir?
ou vamos para onde sonhamos?

17 de junho de 2011

houve um tempo em que as esperanças estavam guardadas numa caixa e eu sorria porque era mais bonito assim. 


Dói sempre mais a desilusão do que ilusão de nos iludirmos.

... amargura de uma vida cansada ...

houve um tempo em que todo o amor do mundo não era suficiente.




o tempo custa sempre mais a passar do que as horas vazias

Da janela do meu quarto eu vejo sempre o mar de todas as manhãs em que acordo mas no fim do dia o pôr sol faz sempre mais frio.

e quando sentimos raiva sem querer? 
fechamos os olhos e choramos?

houve um tempo em que o caminho parecia mais longo e os pés me doíam mais 
mas depois veio o vento e o sentido mudou...

meu amor, as minhas palavras são reais quando te digo em segredo
que não sei onde estou
mas ainda sei das tuas mãos quentes
...............
sobre o meu corpo nu
sobre o meu rosto triste
................

3 de maio de 2011

Não entendo a persistência da vida, 
todos temos histórias de vida para contar,
momentos tristes em que perdemos a liberdade


Se ao menos se acendesse uma luz,
eu conseguiria ler melhor a poesia da vida,
sem ter que dormir tantas vezes no escuro e
acordar na neblina vezes sem conta

Se ao menos o meu esconderijo fosse quente
e a chuva não continuasse a bater-me no rosto,
eu sei onde estaria, com quem dançaria...


Mas tempo é tempo e 
vontade de vencer temos todos,
por vezes há quem fique para trás,
e prefira seguir a solidão

às vezes estamos tão cansados que queremos  desistir...

28 de abril de 2011



Penso na casa antiga
onde brincava quando era criança,
mas depois os meus pais separaram-se,
o sol escondeu-se
e a velha casa chorou.
Até hoje a velha casa sorri
quando na rua passo por ela.
Depois descobri o campo
e percebi o valor da velha
casa antiga.
Agora vou de metro,
pessoas saem,
pessoas entram,
deslocam-se em rebanho
mas não estou no campo.




Um dia, irei ser velha e continuarei
a passar pela casa antiga,
que em tempos me trouxe alegrias.
Lembrar-me-ei, certamente,
das memórias que sei que guardas de mim...
e feliz abraçar-te-ei até que a 
minha alma caia no fim dos dias...

19 de abril de 2011


tenho a roupa molhada
troquei de cadeira porque a outra parecia mais confortável
as sandálias escorregam na calçada
tens medo da vida?
Quero ser abraçada porque ultimamente os meus amigos não me abraçam
Desliguei o leitor de dvd e a televisão e a ventoinha parou

Quero ter sorte, porque ultimamente não tenho tido
Sim… já tirei a roupa e vesti o casaco, vou lá para fora
Limpar a alma
E sujar os pés na lama
Está a chover, sabias?
E eu que fui de sandálias…
A janela do telhado estava aberta e a chuva entrou
O círculo ficou molhado
E depois eu troquei de roupa porque os meus amigos já não me abraçam
Queres dançar?
Espera um pouco eu visto a roupa e tiro as sandálias
Está a chover, sabias?