28 de novembro de 2009

PORQUE SÓ SEI FALAR DE AMOR...

FICO SEM ESCREVER QUANDO TENHO O CORAÇÃO CHEIO...
"...Passou tempo e eu não esperava que, um dia, chegasses. Mas passou tempo. Um dia, chegaste. Caminhávamos na rua. Eu pensava em qualquer coisa que não era a ideia de chegares, como uma avalanche que arrasta tudo à sua passagem, como uma multidão a pisar cada pedaço de terra. E a rua ficou deserta quando nos aproximámos. Éramos desconhecidos no instante em que olhámos um para o outro. Passou esse instante e, dentro de nós conhecemo-nos. Chegaste. Eu não te esperava. Contigo trouxeste a ternura, o desejo e, mais tarde, o medo. Chegaste e eu não conhecia essa ternura, esse desejo. Em casa, no meu quarto, neste quarto, revi os teus olhos na memória, a ternura, o desejo. E, depois, aquilo que eu sabia, o medo. E passou tempo. Eu e tu sentimos esse tempo a passar mas, quando nos encontrámos de novo, soubemos que não nos tínhamos separado..."

13 de novembro de 2009

- "Já não me lembro o quanto gosto de ti."
Finalmente ela quebra o silêncio...
As palavras há muito que não lhe saiam da boca, mas, naquela noite, precisou de gritar. Precisou de gritar para que ele entendesse que o amor também se cansa.
Houve noites em que ela acordava com saudades. Saudades do seu abraço, saudades do seu beijo, saudades do seu calor, saudades da sua intensidade, até da sua brutalidade.
Mas o amor cansou-se...
A vida é muito mais do que pequenas migalhas que vamos coleccionando, fingindo que nos completam como um pequeno puzzle.
Com as mãos sujas de sangue, ela pegou no seu coração e entregou-o...
- Não vês como está ferido? Não vês como sangra?
As mãos tremiam-lhe e todo o seu corpo tinha perdido a força, cansou-se e, sem que ele tivesse reparado, ela largou o seu coração...
E foi quando alguém o agarrou e colocou de novo no seu peito...

4 de novembro de 2009

«Quando saímos, se está a nevar e tudo se pôs branco, ficamos sós, sentimo-nos sós. Se o sol estiver a brilhar, talvez não. Mas nada garante que aquilo que o outro sente seja equivalente ao que nós próprios sentimos. Quanto à mensagem, não sei... Não há mensagem. A melhor coisa é deixar a intuição e a imaginação agirem. É verdade que eu quero dizer com força qualquer coisa difícil de formular, qualquer coisa de escondido;(...)"

28 de outubro de 2009

- E nós?
Foi a coisa mais bonita que ele lhe perguntou... mas ela não soube responder. Olhou para ele e foi como lhe sorrisse porque, na verdade, havia alturas em que os olhos dela brilhavam tanto que pareciam sorrir.
- Que o tempo seja eterno... para amarmos cada pedaço dos momentos que vivemos... Somos caminhantes a querer encontrar a felicidade, somos crianças a querer apreender...
Por um instante, apenas por um instante, ele imaginou-a a dizer: " Vamos então!" Mas, no seu íntimo mais profundo, ele sabia que seriam palavras que os lábios dela nunca prenunciariam, sabia que o tempo e a vida a tinham tornado rude e que o amor já não lhe prendia a respiração como dantes. Tinha um caminho para percorrer que não abdicaria nunca mais e era isso que ele admirava nela, a sua determinação, a sua coragem.
- E Ele?
Ele era fonte de água fresca que lhe saciava a sede, era abraço quente em noites frias de solidão, era vontade de ser apenas feliz. Tinha um olhar perdido, um rosto sereno e um sorriso terno. Tinha uma enorme coragem de chegar ao fim, de perceber que tudo tem um tempo, mesmo o próprio tempo tem tempo... Havia manhãs em que ela o observava a dormir e pensava:
"Queria que também tu fosses o meu caminho!"

21 de outubro de 2009

Cansada, ela estava muito casada!
Deslizou sobre os lençóis quentes da cama
e sonhou...
Estava sentada numa praia vazia, tinha os pés frios da areia molhada, as mãos entrelaçavam-se atrás das costas, tinha um rosto pálido, um olhar perdido... queria gritar sem abrir a boca... às vezes, quando a brisa do mar arrefecia, faltava-lhe o ar.
Como é possível?
Como é possível conseguir voar e não sair do mesmo lugar?
Como é possível sentirmo-nos sós no meu da multidão?
Como é possível sermos tão ignorantes no meio de tanto conhecimento?
Como é possível sermos tão pequeninos num mundo tão grande?

14 de outubro de 2009

Acordou eram seis da manhã. Tinha o sabor da saudade nos lábios e a vontade insaciável de ser tocada.
Acendeu um cigarro e questionou
-se sobre a intensidade dos momentos, sobre a verdadeira importância da partilha. Pensou que, tantas vezes, preferiu partilhar os momentos intensos da vida com ela própria. Poucas são as pessoas que se atravessam no nosso caminho e estão preparadas para nos compreenderem.
No início, ela ambicionava mudar o mundo, torna-lo melhor, multiplicar o amor, mas o tempo passa rápido e -la perceber que afinal, a distância, o toque suave dos corpos entrelaçados e o sabor dos beijo pelas manhãs, sempre são importantes.
Mas, depressa, veio a indiferença,
a carência de veracidade,
a falta de sensibilidade,
a ausência de intensidade,
a sua própria ausência...
O frio ficou mais quente,
O silêncio mais acolhedor,
E, por fim, ela ficou mais só...
... mas já nada importava como dantes...

11 de outubro de 2009

Quando a saudade se apaga, o que resta?
Silêncio!!!
Hoje não me apetece escrever!